17/05/2020 - Nota de solidariedade


NOTA DE SOLIDARIEDADE


A ASBPM (Associação Brasileira dos Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia) se solidariza com os pesquisadores que foram ofendidos, constrangidos, humilhados e, em alguns casos, até detidos em alguns municípios, exercendo sua atividade profissional durante a pesquisa realizada pelo Ibope neste fim de semana.

O estudo EPICOVID19, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é o maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil e está sendo financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética. O Ibope Inteligência foi contratado pela UFPel através de uma licitação.

O objetivo do estudo é estimar o número de brasileiros já infectados pelo vírus e ajudar no planejamento de medidas de contenção do COVID19. Para isso, planejou-se testes rápidos em uma amostra da população brasileira.

Mais de 2.000 pesquisadores foram selecionados, testados para COVID19 e treinados por profissionais de saúde para realizar o trabalho. Mais de 2.000 pesquisadores deixaram suas famílias longe e integraram uma verdadeira força-tarefa portando todos os equipamentos de proteção individuais (EPIs) necessários. Mais de 2.000 pesquisadores deixaram a segurança de sua casa e foram coletar informações importantes para a ciência.

Não obstante a relevância e importância do trabalho, a falta de comunicação entre o Ministério da Saúde e a maioria das 133 prefeituras dos municípios selecionados fez com que as equipes de entrevistadores fossem recebidas e tratadas como forasteiros criminosos. Muitos materiais foram apreendidos ou destruídos, inviabilizando a realização do levantamento completo.

Os trâmites burocráticos estão agora ocorrendo em cerca de 40 municípios para que o estudo possa ser realizado, mas nada apaga o constrangimento pelo qual esses profissionais passaram. Ao acreditar inclusive que pudessem ser golpistas querendo assaltar os moradores, a população e as autoridades locais reforçam preconceito e a desvalorização do profissional de campo.

Queremos que esse não seja apenas mais um episódio em que pesquisadores sejam hostilizados. Precisamos que, além de nós da ASBPM, todas as vozes possíveis – Ibope Inteligência, UFPel, fornecedores de campo contratados pelo Ibope e toda a comunidade de pesquisadores brasileiros – repercutam o ocorrido e reforcem a importância e a dignidade do trabalho dos profissionais de campo para toda a sociedade.


Diretoria da ASBPM